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08/05/2012 | Infraestrutura | Porto Maravilha

Jardim do Valongo passa por restauração

Com construção de rampas de acesso e melhorias para os moradores, espaço da região portuária voltará a ser um ponto turístico da cidade

Nem só de alargamento de vias, construção de túneis e novas rotas de passagem é feita a revitalização da Zona Portuária do Rio. Um dos pontos mais bonitos desta região, o Jardim do Valongo, construído em 1906 pelo então prefeito Pereira Passos como parte do alargamento da antiga rua do Valongo, hoje rua Camerino, vai ser entregue ao carioca, totalmente recuperado, no segundo semestre deste ano.

Criado para ser uma obra de contenção de encostas na vertente oeste do Morro da Conceição, o Jardim, seguindo o estilo de engenharia da época, passou por um processo de embelezamento urbano, se tornando um local onde a sociedade da época fazia seus passeios nos fins de tarde. A recuperação foi feita seguindo a mesma técnica construtiva utilizada à época em que ele foi projetado, conhecida como rocaille, que consiste na reprodução de elementos da natureza, como rochas, cachoeiras, árvores e troncos, com concreto.

- Esta é uma restauração de muita especialização, com uma cadeia de conhecimento que envolve ciências, botânica e investigação histórica – explica o subsecretário de Patrimônio Histórico, Washington Fajardo. – Então para recompor esse paisagismo se utilizou de fotos históricas, de iconografia, a partir do reconhecimento dessas espécies de plantas que eram possíveis de ser identificadas a partir destas fotos.

Além do replantio de várias espécies de plantas, o Jardim também receberá de volta as quatro estátuas das divindades greco-romanas Mercúrio, Minerva, Ceres e Marte, que faziam parte do Cais da Imperatriz, construído no século XIX para receber a imperatriz Teresa Cristina, que vinha para se casar com D. Pedro II. As peças originais hoje se encontram no Palácio da Cidade e quatro réplicas serão enviadas para o Jardim do Valongo. O prédio do Mictório Público, um dos primeiros construídos na cidade, e a Casa da Guarda, também passam por reformas.

- Na oportunidade de se fazer essa obra de contenção, se criou um mictório público, um espaço onde os homens poderiam vir e satisfazer suas necessidades. É uma restauração arquitetônica delicada e bem feita. Pra gente, hoje, antes de fazer xixi na rua, ver como os nossos avós já se preocupavam com isso – contou Fajardo.

Os trabalhos de restauração também incluem a requalificação dos acessos ao Morro do Valongo, com a recuperação do pavimento histórico, todo construído utilizando a técnica conhecida como pé de moleque, e a inclusão de rampas de acesso. Moradora do local desde os 11 anos de idade, Maria Cristina Peixoto Leite se diz entusiasmada com as obras no local.

- Este era um local abandonado, sujo, sem segurança nenhuma. Mas depois que as obras começaram, mudou muito. Está mais iluminado, de mais fácil acesso. Com as rampas ficou mais fácil para os moradores subirem e temos várias pessoas que vêm aqui só para tirar fotos e olhar o visual – disse. – Hoje eu sinto orgulho de morar aqui.

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