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19/01/2012 | Social | Morar Carioca

Encontro de ideias para integrar o Rio

Prefeitura e Instituto dos Arquitetos do Brasil promovem mais uma rodada de debates sobre o Morar Carioca e a proposta de entrelaçar favela e 'asfalto'. Intelectuais como o artista plástico Vik Muniz e o poeta Affonso Romano de Sant'anna comentam o novo momento da cidade

O artista plástico Vik Muniz: “O Rio tem uma sofisticação inigualável na forma como as pessoas se relacionam”

Debater para aperfeiçoar. Discutir para esclarecer. Ouvir para evoluir. Com o objetivo de entender melhor o que a população espera e informar o que vem sendo feito nos programas de habitação e inclusão social, a Prefeitura do Rio, em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), realizou o 6º Painel Morar Carioca: A Cidade Integrada. Na bancada, nomes importantes como o artista plástico Vik Muniz, o poeta e professor Affonso Romano de Sant’Anna e a professora de Sociologia e Política Maria Alice Resende de Carvalho. Foi uma grande troca de ideias e experiências para o novo momento do Rio, de um crescente entrelaçamento entre favela e asfalto.

Nascido em São Paulo, Vik Muniz se transformou em carioca por adoração. Filho de família pobre, da Zona Oeste da capital paulista, Vik lembrou quando andava de ônibus tentando entender o limite entre periferia e centro. E sempre sentiu falta do que chama de coração de uma cidade.

– Minha ideia de cidade tem uma pracinha, uma igreja e um mercadinho. É onde as pessoas se reúnem para falar das mais diversas coisas. Em São Paulo é muito difícil ver os moradores se conectarem. O que já não acontece no Rio, que tem a praia como grande ponto de encontro de pessoas de todos os tipos – disse o artista, exemplificando essa característica do Rio com uma história curiosa vivida por ele.

– Estava saindo da praia outro dia e entrei em uma conversa sobre futebol com dois caras que estavam no calçadão. Fui convidado a sentar na mesa e evoluímos para diversos assuntos, desde mulher, passando por novela, até de política nós falamos. Estávamos os três de chinelo, bermuda e com camiseta. Quando nos despedimos, descobrimos que um morava na Vieira Souto, de frente para o mar; eu sou morador do Jardim Botânico, e o terceiro cara era do Vidigal. O Rio tem uma sofisticação inigualável na forma como as pessoas se relacionam, que não existe em nenhum outro lugar no planeta – destacou.

O poeta Affonso Romano entrou no assunto para lembrar que o momento é positivo, as pessoas estão felizes e a autoestima do carioca voltou. Morador de Copacabana, vizinho do Morro Pavão-Pavãozinho, ele acha que os moradores da cidade se surpreenderam diante de tantas modificações.

– Os governantes atuais resolveram ler a questão da favela de uma forma diferente. Faz muito bem a cidade de estar tentando ler a si mesma. A remoção autoritária, as inserções policiais pontuais, a instalação de bicas temporárias nunca resolveram o problema. Parece que finalmente se descobriu que esse não é o caminho – citou o intelectual.

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