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04/10/2012 | Infraestrutura | Porto Maravilha

Nova Zona Portuária terá tráfego pesado subterrâneo

A Praça Mauá é um ponto emblemático do Rio de Janeiro. Dos navios negreiros, há centenas de anos, aos luxuosos transatlânticos do século XXI, o local se mantém como a sala de visitas de quem chega ao Rio de Janeiro pelas “estradas” do Atlântico. O largo também é considerado o ponto final da BR-040 – […]

A Praça Mauá é um ponto emblemático do Rio de Janeiro. Dos navios negreiros, há centenas de anos, aos luxuosos transatlânticos do século XXI, o local se mantém como a sala de visitas de quem chega ao Rio de Janeiro pelas “estradas” do Atlântico. O largo também é considerado o ponto final da BR-040 – rodovia federal que se inicia em Brasília, no Distrito Federal, com mais de 1 mil quilômetros –, além de estar no epicentro do fluxo de tráfego da cidade. Mas, a despeito de tanta “audiência”, poucos imaginam a grandiosidade de uma obra que acontece ali, entre os tapumes, com direito a uma cratera cuja profundidade chegará ao tamanho da estátua do Cristo Redentor.

Trata-se do túnel que fará parte da Via Binário, um dos novos acessos de alta velocidade que vai abrir caminho para a demolição do Viaduto da Perimetral. O túnel terá três faixas de rolamento, uma a mais do que tem hoje o viaduto – ajudando, assim, a diminuir os engarrafamentos nos caminhos que levam à Ponte Rio-Niterói e ao Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. Os veículos entrarão pela Rua Primeiro de Março, no Centro, e vão seguir por debaixo da Praça Mauá até a saída no Moinho Fluminense, na Rua Antônio Lage, no Santo Cristo. O túnel terá cerca de 1.500 metros de extensão, tamanho semelhante ao Santa Bárbara, que liga Laranjeiras ao Catumbi, onde fica o Sambódromo.

A cratera na praça foi feita “apenas” para agilizar a obra. Lá, ao atingir a profundidade de 38 metros – que hoje já está próxima a 30 –, serão abertas duas frentes de trabalho, uma no sentido Centro e outra no sentido Santo Cristo. Outros dois canteiros de obra estão montados, respectivamente, na Rua Primeiro de Março e na Antônio Lage.

– Isso é uma técnica de engenharia que nos permite construir com mais rapidez. Em vez de começar apenas com uma frente no início e outra no final do túnel, a gente abre mais duas frentes de serviço na metade do caminho e, com isso, otimizamos o tempo de execução da obra, explica José Renato Ponte, diretor-presidente do Porto Novo.

Na Praça Mauá, estão sendo colocados explosivos para escavar através da rocha. Já na Rua Primeiro de Março, a primeira descida de acesso ao túnel vem sendo concluída. Lá os operários também estão colocando espécies de pilastras, responsáveis por sustentar o solo e permitir a escavação gradual do túnel até atingir a profundidade de 38 metros.

A obra é cercada de cuidados por todos os lados – como não poderia deixar de ser, afinal: trata-se de uma região histórica da cidade, com dezenas de prédios tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional. Apenas no trecho ao redor da cratera da Mauá, por exemplo, estão o Edifício A Noite, primeiro arranha-céu do Brasil erguido em 1929 (que está sendo reformado), e o Palacete Dom João VI, construído entre 1912 e 1918 e considerado uma das construções mais imponentes e clássicas da região portuária do Rio. O Palacete, uma das atrações do novo Porto, também está sendo reformado e será sede do Museu de Arte do Rio, previsto para ser inaugurado em novembro. Por isso, foram colocados sensores nesses e em vários prédios ao longo do trajeto do túnel, a fim de monitorar todas as estruturas da região.

– Tudo tem de ser feito de modo a preservar as edificações, a segurança das pessoas do entorno e de quem trabalha na obra, conta Marcelo Julião, coordenador de produção.

 

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